segunda-feira, 29 de junho de 2015

Teatro romântico

O teatro português, que entrara em declínio depois de Gil Vicente, - apesar das tentativas de D. Francisco Manuel de Melo e António José da Silva, o judeu, sobretudo deste último - vai reerguer-se durante o Romantismo, graças ao admirável esforço despendido por Garrett, a tal ponto que falar do teatro romântico significa quase tão-somente mencioná-lo, analisá-lo e compreende-lo. Imaginoso, dinâmico e estimulador, Garrett não descansou enquanto não dotou o palco português dum teatro de feição nacional e de alto sentido patriótico. E conseguiu-o, muito embora seu exemplo morresse à míngua de seguidores com talento suficiente para criar peças de igual altitude. Por iniciativa sua, tomam-se as medidas práticas para estabelecer condições materiais favoráveis à empresa que pretende realizar: a 15 de Novembro de 1836, cria-se a Inspecção Geral dos Teatros e Espectáculos Nacionais e o Conservatório Geral de Arte Dramática; em 1846, alcança inaugurar um edifício apropriado às representações, e que recebeu inicialmente o nome de Teatro Nacional, e depois o de Teatro de D. Maria II, em homenagem à Rainha, que amparava o plano de Garrett.

Não fosse o bastante, para o novo teatro escreveu várias peças de carácter nacional, uma das quais obra-prima da dramaturgia Portuguesa e europeia, o Frei Luís de Sousa.

Inaugurou-se solenemente o Teatro Nacional em 1846, com a peça Álvaro Gonçalves, o Magriço, vencedora num concurso que se realizara com esse destino. Seu autor, jacinto Heliodoro de Aguiar Loureiro (nascido em 1806), publicou-a no mesmo ano, com um título em que fazia menção àquela circunstância: Álvaro Gonçalves, o Magriço, e os Doze de Inglaterra, drama histórico original, aprovado pelo Conservatório R. de Lisboa para a inauguração do teatro de D. Maria II; escreveu ainda outras peças, que permaneceram inéditas embora representadas no tempo (O Trarouros, Zoroastro, O Triunfo de Mardoqueu, D. Mência, etc.

Daí por diante, outras peças foram continuamente encenadas, via de regra girando em torno de temas nacionais e patrióticos, a tal ponto que não houve episódio heróico ou lírico na história pátria não desse motivo a pelos menos um drama (resultante da junção entre a comédia e a tragédia). Teatro histórico, de exaltação dos valores da nacionalidade, vai colocar-se na cumeeira da actividade literária contemporânea, chegando por vezes a igualar o nível atingido pelo teatro vicentino. Contudo, é bom ter presente que o teatro romântico em Portugal não destrói a impressão que o português em geral desestima a visão dramática do mundo, talvez em decorrência do pendor para a introversão e a correspondente projecção confessional e lírica.

Além de Garrett, outros teatrólogos, seguindo-lhe o exemplo e as passadas, mas sem poder imitá-lo no talento e na sensualidade, colaboraram, embora mediocremente, para a renovação do teatro nacional: Mendes Leal, introdutor em Portugal do dramalhão histórico de origem Francesa (Os Dois Renegados, 1831] O Homem da Máscara Negra, 1840, etc.), Ernesto Biester 1829-1880), João de Andrade Corvo (1824-1890), discípulo de Herculano, autor dos dramas O Aliciador, o Astrólogo, D. daria Teles, Um Conto ao Serão, Nem tudo que lux é ouro, outros comediógrafos, incluindo Camilo e Júlio Dinis, que pra coram teatro de curto alcance.